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Aplicativos aumentam pressão sobre o transporte público

 

O mais novo serviço alternativo ao transporte público na capital sofreu nesta semana um acidente grave na Terceira ponte, o que provoca a reflexão sobre os cuidados necessários à proteção dos usuários e de todo o sistema de transporte de passageiros da capital. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Espírito Santo– Setpes, Jerson Pícoli, todas as iniciativas para ampliar as alternativas de transporte para a população são bem-vindas. “Mas é preciso normatizações que protejam a população, sem esquecer também da permanente fuga de arrecadação do sistema, o que só faz aumentar as dificuldades para a sua viabilização” explica Jerson.

 

Acidente

Na madrugada do dia 23 de fevereiro de 2020, um tuk -tuk se envolveu em um acidente na terceira ponte. Por volta de uma hora da manhã, um carro bateu na traseira do tuk-tuk, que estava com três pessoas a bordo. Duas pessoas ficaram feridas e foram socorridas. Os demais envolvidos não precisaram de atendimento. O acidente aconteceu no sentido Norte (Vila Velha - Vitória) da via. De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito o veículo não poderia estar trafegando na terceira ponte, já que a velocidade máxima do veículo é menor que 50% da velocidade máxima permitida na via, que é de 80 km.

O tuk-tuk chegou em Vitória em janeiro deste ano. Ao todo, vinte veículos seriam disponibilizados para o serviço que, por ora, funciona em apenas quatro bairros da Capital: Mata da Praia, Jardim da Penha, Santa Lúcia, Santa Helena.

 

Transporte Clandestino: insegurança e concorrência desleal

Um outro fator que causa preocupação entre governantes e empresas de transporte de passageiros é o transporte clandestino. Os veículos usados oferecem vários riscos aos passageiros e muitas vezes não foram projetados para o transporte coletivo. São carros, vans, ônibus em péssimo estado de conservação, operados por motoristas não profissionais. Eles também praticam tarifas variadas, não transportam as gratuidades, não respeitam as normas de trânsito, trafegam em velocidade excessiva e sonegam tributos e encargos.

 

A Lei nº 13.855, aprovada pelo Congresso Nacional, que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que dispõe sobre transporte escolar e transporte remunerado não licenciado, foi sancionada. O transporte ilegal passa a ser infração gravíssima, com pena de multa e remoção do veículo. O presidente do Setpes, Jerson Picoli, explica que de acordo com a legislação, as empresas de ônibus obedecem a várias normas legais para a prestação de serviço ao passageiro, como a Lei das Concessões e as normas exigidas pelo Código de Trânsito Brasileiro.

 

Crise na mobilidade

Segundo informações da Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU) o número de passageiros transportados por ônibus por dia, entre 1996 e 2017, encolheu 42%. Por outro lado, o Brasil viveu nas últimas décadas uma fase de grande estímulo à indústria de carros e a entrada no mercado dos aplicativos de transporte, que transportam diariamente parte dos usuários dos ônibus. Para mudar a forma como a população encara o transporte público é preciso investir na qualidade, o que exige novos modelos de participação dos governos e da iniciativa privada para a viabilização de um novo e moderno sistema capaz de continuar atendendo a população. “Só assim o transporte coletivo será considerado uma alternativa confortável, conveniente e econômica para se locomover”, afirma o presidente do Setpes, Jerson Picoli. “Com tantas alternativas de transporte, é preciso que a população se atente para qual modelo é o mais viável, mas também o que seja mais seguro e esteja regulamentado por Lei capaz de assegurar a proteção dos usuários. Nem sempre a opção mais barata é a mais viável”, completa Picoli.



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