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Transporte público como saída para os problemas no trânsito

Estamos cada vez mais dependentes de carros e motos. Movimentar-se pelas cidades segue sendo um grande desafio, independentemente do meio de transporte. Nosso trânsito possui uma série de gargalos que pioram nos horários de pico e tornam difícil cumprir horários. É cada vez mais comum ouvir que alguém se atrasou porque estava “preso no trânsito”.

Todos os dias, milhares de pessoas se deslocam para Vitória, que ainda abriga a maioria dos empregos na Região Metropolitana. A Terceira Ponte talvez seja o caso mais emblemático. São milhares de pessoas que chegam a levar mais de uma hora apenas para acessar a via, seja de ônibus ou carro. Um transtorno que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas.

Além disso, qualquer batida de pequenas proporções, sem feridos, pode se transformar em um grande transtorno na Capital, dependendo do horário em que acontecem. Isso se dá porque temos poucas vias alternativas para o escoamento do tráfego.

Parte da explicação para este problema é histórica. Vitória era uma cidade pouco habitada até meados dos anos 1950. Com a industrialização, a população rural migrou para a cidade, que cresceu desordenadamente. A falta de planejamento nessa época ainda nos cobra um alto preço.

Os reflexos dessa “carrodependência” são vistos na frota brasileira: enquanto a de ônibus se manteve estável nos últimos anos, a de carros de passeio mais que dobrou, indo de 21,2 milhões de veículos em 2001 para 53,5 milhões no ano passado, segundo dados do Anuário da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Isso resulta em congestionamentos maiores a cada dia, que afastam ainda mais a população do transporte público que, por sua vez, sofre com a queda no número de passageiros.

A solução para esse círculo vicioso não é simples, mas é possível e passa por vários fatores. Prefeituras, governo estadual e outros órgãos ligados ao trânsito precisam sentar juntos, em busca de uma solução em que cada um faça a sua parte, em projetos que se complementam por um trânsito melhor para todos.

No caso do transporte público, um dos maiores desafios é aumentar a velocidade circulação dos ônibus. Estimativas dão conta que, em média, eles não andem mais que 15km/h, número que pode ser ainda menor em horários de pico. Isso afasta o usuário, que não quer, e não pode, perder o horário de seus compromissos cotidianos.

Uma das alternativas para isso é a implantação das faixas exclusivas, como a Linha Verde. Mas isso demanda um planejamento para que a rede de vias exclusivas seja implantada com rapidez. Esse tipo de projeto tem período de implantação curto e baixo custo com impactos significativos para o tráfego dos coletivos e bons resultados em cidades do Brasil e do Mundo.

São Paulo, por exemplo, já conta com mais de 500km de faixas exclusivas. Como consequência, houve um aumento de 11% da velocidade média dos ônibus e crescimento da frota de ônibus. Ao trafegarem em velocidade mais constante, sem o típico para e anda dos congestionamentos, os ônibus ainda gastam menos combustível e reduzem a emissão de CO2 na natureza.

Seja qual for a solução a ser implementada, ela precisa ser bem planejada e bem comunicada à população em geral. O transporte público é uma das saídas para os problemas que enfrentamos no trânsito e o cidadão precisa saber que pode contar com ele.

 

Jaime de Angeli é secretário geral do Setpes



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